05 janeiro, 2016

Romênia Sob as Botas do Comunismo


Partido Comunista Romeno [ Partidul Comunist Român, PCR ]
Vítimas Do Comunismo Romeno


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📄 Partido Comunista Romeno
[ Partidul Comunist Român, PCR ]

O Comunismo na Romênia foi um sistema totalitário baseado sobre a contínua violação dos direitos humanos, na supremacia de uma ideologia hostil para corromper a sociedade, o leninismo, que expôs o monopólio do poder de um pequeno grupo de indivíduos que fingiam serem os expoentes da vontade dos interesses nacionais. O 📄 Partido Comunista Romeno [ Partidul Comunist Român, PCR ] evoluiu de uma seita marginal leninista subterrânea, composta de não mais que 1.000 membros para um partido de massa, tornando-se o veículo para o estabelecimento da ditadura pessoal de 📄 Nicolae Ceauşescu baseada na ideologia ultra-nacionalista, combinada com elementos do marxismo. O Comunismo Romeno desenvolveu uma cultura política peculiar com características decorrentes tanto nacional e internacional na tradição leninista: desconfiança, um complexo profundo de inferioridade, sentimento de ilegitimidade, narcisismo político, sectarismo, anti-intelectualismo e uma obsessão com o transformismo político e social.

O quê é particularmente notável na história da experiência comunista na Romênia é a ausência de qualquer grupo orientando para as "reformas" estruturadas na sua parte superior e na sociedade. Na Romênia, tanto com 📄 Gheorghe Gheorghiu ou 📄 Nicolae Ceauşescu, o legado do stalinismo radical nunca foi exaustivamente questionado - e não poderia, portanto, ser abandonado. O regime comunista romeno não experimentou um processo de verdadeira desestalinização. Durante o período comunista, a Romênia sofreu com a aplicação firme de dogmas leninistas:

industrialização forçada, com base em um modelo ultrapassado de desenvolvimento econômico;

a eliminação da propriedade privada, tanto em áreas urbanas e rurais, combinadas com uma política implacável de coletivização da agricultura;

o metódico controle cada vez mais intrusivo do espaço social e da vida privada dos cidadãos.

Partido Comunista Romeno [ Partidul Comunist Român, PCR ]
Vítimas Do Comunismo Romeno


Ao mesmo tempo, a cultura e a intelectualidade romena eram permanentemente disciplinados e controlados por meio da censura e propaganda concebido por esses ideólogos, tais como 📄 Leonte Răutu e 📄 Dumitru Popescu. O Partido Comunista Romeno implementou políticas de extermínio social, guiada pela idéia de luta de classes ou interesses nacionais artificialmente definidos. O 📄 Relatório Final da Comissão Presidencial para a Análise da Ditadura Comunista na Romênia [ PCACDR - Comisia Prezidențială pentru Analiza Dictaturii Comuniste din România ] estimou que o custo humano do regime comunista varou de 500.000 a 2.000.000 de vítimas.


Partido Comunista Romeno [ Partidul Comunist Român, PCR ]
Vítimas Do Comunismo Romeno

Esta discrepância ampla se origina na obstrução sistemática dos arquivos da 📄 Securitate [ Departamentul Securităţii Statului (polícia secreta) ], o escritório do procurador do distrito, a milícia, os guardas de fronteira, o Ministro da Administração Interna, e de outras instituições repressivas. Portanto, as informações sobre o destino das vítimas ainda é escassa. O quê está claro é o fato de que eles foram selecionados além da bases de classe: por ocupação, etnia, religião e sexo.

Fundado em 1921, o 📄 Partido Comunista Romeno [ Partidul Comunist Român, PCR ] emergiu da clandestinidade em 1944 e conseguiu, depois de 1945, através do engano, mobilização e manipulação por trás do escudo protetor do Exército Vermelho, tornar-se cada vez mais hegemônico. Um golpe de Estado em 23 de Agosto de 1944, derrubou a ditadura pró-nazista do 📄 Marechal Ion Victor Antonescu e trouxe a Romênia para a coalizão antifascista. Sob a liderança de 📄 Teohari Georgescu, o Ministro Comunista de Assuntos Internos, as eleições de novembro 1946 foram manipuladas, uma enorme fraude eleitoral que permitiu ao Partido Comunista Romeno e aos seus aliados darem um grande passo em direção ao monopólio do poder. O próximo passo em direção à "ditadura do proletariado" foi a dissolução das formações democráticas, o Partido Nacional Camponês e os Partidos Liberais Nacionais foram dissolvidos em agosto de 1947.


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Brasão da 📄 Republica Socialistă România

O último golpe veio em 30 de dezembro de 1947, quando o 📄 Rei Mihai I foi forçado a abdicar. A criação da 📄 Republica Socialistă România foi anunciada no mesmo dia. Em 1948, a fusão forçada do Partido Comunista Romeno e do Partido Social-Democrata Romeno em uma nova formação política, o "Partido dos Trabalhadores Romenos", concluiu o processo que tinha começado em 1944, quando as tropas soviéticas ocuparam o país. A fim de compreender a dinâmica do regime comunista, deve-se notar que três centros funcionavam dentro do Partido Comunista Romeno durante a Segunda Guerra Mundial:

• O primeiro foi o Comitê Central Oficial, encabeçado por 📄 Ștefan Foriș. Uma personalidade significativa dessa facção subterrânea era o intelectual marxista 📄 Lucrețiu Pătrășcanu.

• O segundo foi chefiada por Gheorghiu-Dej, que reuniu aqueles comunistas membros que passaram a maior parte da década de 1930 e início dos anos 1940 nas prisões Romenas. Dej era stalinista, que, por meio de intrigas maquiavélicas, jogou um jogo sangrento até o poder, a fim de se tornar um líder incontestável de uma seita política igualmente fanática e cínica.

• O terceiro centro foi o emigrante romeno do Bureau de Moscou liderada por 📄 Ana Pauker (Hanna Rabinsohn), celebrizada pela propaganda do "Comintern" como a Balcã Passionaria. Derivada da autoridade de seus contactos privilegiados na sede do Comintern onde trabalhou desde a sua chegada de Moscou no outono de 1940.

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Em 1948, no início da plena estalinização da Romênia, a elite do Partido Comunista Romeno incluiu grupos heterogêneos, mutuamente suspeitos, com diferentes experiências de vida. Eram todos, no entanto, prontos a endossar o internacionalismo Soviético. Os conflitos entre os três centros iniciam principalmente por rivalidades pessoais.

O assassinato de Foriș (1946), a prisão de seus colaboradores mais próximos, e da eliminação de Pătrășcanu como um "desvirtuador nacionalista" (preso em 1948, executado em 1954) lançou as bases para a desconfortável aliança provisória entre Gheorghiu-Dej e seu grupo com o lado dos "moscovitas" montado em torno Ana Pauker.

A purga do grupo Pauker-Luca-Georgescu foi cuidadosamente realizado durante em um período de três anos (1950-1953). Nos esquemas intrincados que devorou ​​a elite comunista romeno, o servilismo inabalável cedeu para o Imperialismo Soviético professado com o Proletariado Internacionalista que foi gradualmente substituído por uma posição cínica e pragmática, que incluiu o nacionalismo com tons xenófagos.

No rescaldo do discurso secreto [ Discurso Secreto ou Relatório Khrushchov, cujo nome oficial é 📄 Sobre o culto à personalidade e suas conseqüências ] de 📄 Nikita Serguêievitch Khrushchev [ Никита Сергеевич Хрущёв ] em fevereiro de 1956, os comunistas romenos estavam confusos, traumatizado e indignados. O seu ex-ídolo, Stálin, foi atacado como um criminoso, monstro paranóico. A partir desse momento, Gheorghiu-Dej, o líder indiscutível do partido, desconfiava profundamente do Primeiro Secretário Soviético. Ele conseguiu silenciar qualquer oposição interna e bloquear qualquer esforço de desestalinização. A ênfase foi colocada sobre a rejeição inicial da parte romena dos "excessos" dos "moscovitas" vilipendiados. Ao mesmo tempo, qualquer degelo consistente dentro da vida intelectual foi atrasado por meio da demagogia e da postura nacionalista. Várias figuras importantes da cultura romena (por exemplo, o poeta 📄 Tudor Arghezi [ pseudônimo Ion Nae Theodorescu ] e o romancista 📄 Liviu Rebreanu) foram reabilitados. A disciplina de ferro das fileiras do Partido Comunista, combinando com o entusiasmo da população por uma falsa desestalinização, lançou as bases do stalinismo nacional na Romênia.

O primeiro exemplo de autonomia intrabloco do Partido Comunista Romeno, desde que chegou ao poder originado em seu apoio entusiástico à intervenção soviética na Hungria em 1956. Gheorghiu-Dej ofereceu assistência política direta com 📄 Imre Nagy e seus colaboradores que foram colocados sob prisão domiciliar em duas pequenas cidades romenas, Snagov e Otopeni. Além disso, a liderança de Dej desencadeou expurgos implacáveis ​​das universidades de Bucareste, Cluj e Timisoara, que foram focos de agitação e de solidariedade no contexto dos eventos húngaros. Milhares de pessoas foram presas e centenas foram expulsos.

A repressão de 1956 preparou o terreno para uma nova onda de terror, de 1958 até 1961. Os alvos eram intelectuais que no final de 1940 não foram presos, mas tinham sido apenas marginalizados. Esta limpeza social acompanhou uma nova ofensiva para completar o processo de coletivização.

Gheorghiu-Dej reivindicou oficialmente a vitória final no estabelecimento de controle do partido sobre a sociedade romena, em abril de 1962. Ele então declarou concluída a construção da base material da nova ordem e a transição para o cumprimento da construção socialista. O prêmio mais importante para as suas ações foi a retirada da Romênia, em 1958, das tropas soviéticas. Era um sinal da confiança de Khrushchev na estabilidade do regime. Ironicamente, após a segunda campanha anti-Stálin, em 1961, Gheorghiu-Dej desafiava e surpreendia o Kremlin. Em menos de cinco anos, a Romênia, de país satélite mais leal à União Soviética, tornou-se um maverick* ou um aliado sempre irritante.
*Maverick - Dissidente.
A declaração de abril de 1964 do Partido Comunista Romeno sobre os principais problemas do movimento comunista mundial resumiu a nova filosofia do Partido Comunista Romeno. Os comunistas romenos romperam com o conceito soviético de socialismo internacionalista e enfatizaram seu compromisso com os princípios da independência nacional e da soberania, igualdade plena, não-ingerência nos assuntos internos de outros Estados e partidos, e de cooperação com base no benefício mútuo. No mesmo ano, Gheorghiu-Dej emitiu uma série de decretos que liberam milhares de presos políticos das prisões e locais de deportação. No entanto, o secretário do partido e seus companheiros nunca reconheceram qualquer responsabilidade pessoal com a situação anterior do país.

Gheorghiu-Dej foi diagnosticado com câncer de pulmão em fevereiro de 1965.

Poucos dias depois de sua morte (19 de março), Nicolae Ceauşescu tornou-se secretário-geral do partido. Ceauşescu havia aceitado a política anti-romena do Comintern e obedientemente a realizou. Ele estava diretamente envolvido entre 1948-1965 na coletivização forçada da agricultura, nos expurgos sucessivos do partido e do exército, e na perseguição de intelectuais e estudantes.Após sua nomeação, ele posicionou-se como apóstolo do Romanianismo e tentou inventar um comunismo nacional auto-denominado. No final dos anos de 1960 e 1970, Nicolae Ceauşescu, que logo se tornou o presidente do país, foi descrito pela mídia ocidental como um dissidente. O ano de 1968 foi crucial na determinação do futuro do comunismo romeno e sua evolução para o "socialismo dinástico" (com concentração de poder nas mãos do clã Ceauşescu).
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📄 Pacto de Varsóvia

Em 21 agosto de 1968, Nicolae Ceauşescu dirigiu uma multidão de mais de 100 mil, com veemência, condenando a intervenção do 📄 Pacto de Varsóvia, algumas horas após a invasão da Tchecoslováquia. Este momento se tornou uma lenda do nacional-comunista e foi elogiado por muitos como um gesto de proporções heróicas. O mito habilmente trabalhado apresentou o romeno Davi bravamente desafiando à Golias, a União Soviética. Foi, de fato um disfarce: o líder neo-stalinista obcecado pelo poder sem a menor inclinação democrática que sucede do dia para a noite e desperta o entusiasmo popular ganhando o crédito entusiasmado de uma população convencida de que a Romênia iria seguir a linha da liberalização e da aproximação com o Ocidente. O modelo obtuso e ultra-autoritário da ditadura pessoal foi apoiado e reforçado. No X Congresso de 1969 do Partido Comunista Romeno, Ceauşescu insistiu que o objetivo fundamental da estratégia era a criação de uma "sociedade socialista multilateralmente desenvolvida". Este conceito, a contrapartida da Romênia à "📄 shibboleth" ideológica soviética do "socialismo realmente existente", foi apresentado como um grande avanço teórico. Ele foi considerado muito mais abrangente do que a visão soviética tanto do ponto de vista sócio-econômico como da "humanidade civilizada". Em 1972, tornou-se óbvio que tal retórica camuflava uma radical re-stalinização eo surgimento de um culto sem precedentes da personalidade, em primeiro lugar, Ceauşescu e, em seguida, depois de 1974, sua parceira política, sua esposa 📄 Elena Ceauşescu.

Os Dissentes na Romênia, um país onde o marxismo "revisionista" nunca havia vencimento, foram reduzidos a uma posturas quixotescos. Em janeiro de 1977, o escritor 📄 Paul Goma expressou abertamente a sua solidariedade com o grupo da Tchecoslováquia - 📄 Carta 77. Também escreveu um apelo exigente, naquele ano sob as disposições da 📄 Conferência de Helsinque em matéria de direitos humanos observados pelo regime de Ceauşescu. Sua iniciativa caiu em ouvidos surdos.

Outros dissidentes romenos, como 📄 Dorin Tudoran, 📄 Mihai Horia Botez, 📄 Doina Córnea, 📄 Dan Petrescu, 📄 Liviu Cangeopol, 📄 Gabriel Andreescu e 📄 Radu Filipescu, isolamento e com falta de apoio, experimentaram o mesmo.

Os únicos interessados responderam com desobediência civil as medidas draconianas, e as minorias religiosas e nacionais foram perseguidas. Além disso, a aliança entre classes, em apoio aos 📄 mineiros do Vale Jiului (Valea Jiului) dos intelectuais na greve de agosto 1977 ou a 📄 Revolta de Brașov em Novembro de 1987, não se desenvolveram. Entre 1964 e 1977, devido à associação hábil do regime de industrialização e do nacionalismo, o "novo contrato social" funcionou bem.

O agravamento da situação econômica a partir de 1975 e o fracasso do regime de lidar com os desafios da modernização acelerou o amadurecimento de uma crise sócio-política na Romênia. Por volta de 1985, Ceauşescu estava sendo estigmatizado como um faraó comunista cuja vaidade parecia ilimitada. Para azar de Ceauşescu, este culto de personalidade provou ser falso, inventado pela nomenklatura ideológica e apoiado pela Securitate onipresente. Para atingir as metas irracionais de Ceauşescu como o pagamento completo da dívida externa do país, os romenos foram forçados a sofrer com o frio e a fome. Ceauşescu sem rodeios rejeitou as reformas de Mikhail Gorbachev, que ele destacava como um "oportunismo de direita".

Partido Comunista Romeno [ Partidul Comunist Român, PCR ]
Memorial as Vítimas Do Comunismo Romeno da Revolução Romena de 1989

Partido Comunista Romeno <br> [ Partidul Comunist Român, PCR ]
Memorial as Vítimas Do Comunismo Romeno da Revolução Romena de 1989

Partido Comunista Romeno [ Partidul Comunist Român, PCR ]
Memorial as Vítimas Do Comunismo Romeno da Revolução Romena de 1989


Até o final de seu governo, Ceauşescu havia se tornado um embaraço do Oriente ao Ocidente. A revolução romena de 1989 começou em Timisoara em 15 de dezembro, provocada por um pequeno grupo que se reuniu em torno da casa do reverendo 📄 László Tőkés. Nos dias seguintes, milhares saíram às ruas com slogans contra a ditadura.

Apesar da sangrenta repressão, a cidade essencialmente caiu nas mãos dos manifestantes. Em 21 de dezembro em Bucareste, Ceauşescu tentou reencenar a sua atuação grandiosa de agosto de 1968. Ele tentou obter o apoio de um grande número de pessoas presentes na frente do Comitê Central da mesma forma que ele fizera vinte anos antes. Desta vez, porém, o velho truque não funcionou: Ceauşescu foi vaiado com raiva e teve que sair de helicóptero junto com sua esposa Elena. Eles logo foram presos e executados no dia de Natal sob acusações de genocídio, enormes contas bancárias no estrangeiro, etc...

Partido Comunista Romeno [ Partidul Comunist Român, PCR ]


O legado do regime comunista na Romênia aumentou para níveis irracionais nos últimos anos do governo de Ceausescu:

• foi caracterizado pelo despotismo,
• a destruição dos valores tradicionais,
• a injustiça social, política, cultural e religiosa, e, culminando em autarquia autodestrutivo.

Em 18 de dezembro de 2006, em frente ao Parlamento do país, o presidente romeno democraticamente eleito, 📄 Traian Băsescu, com base no relatório final da PCACDR, condenou oficialmente o regime comunista como ilegítimo e criminoso.

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Corruptissima re publica plurimae leges
"Quão mais corrupto for o país, mais haverá leis"