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26 julho, 2017

Je suis le Père Jacques Hamel




Je suis le Père Jacques Hamel



Padre Jacques Hamel (30 de novembro de 1930 - 26 de julho de 2016) Sacerdote Católico Francês da paróquia de Saint-Étienne-du-Rouvray, morto por dois assassinos leais ao Estado islâmico enquanto rezava a Santa Missa na sua Igreja em 26 de Julho de 2016.


08 maio, 2016

A Luta pela Alma Chinesa




Guerra Fria



Quando a Igreja Congyi em Hangzhou finalmente ficou completa em 2005, foi chamado de a maior igreja chinesa no mundo, capaz de receber uma multidão de 5.500 com quase US$ 6,5 milhões que foram arrecadados para financiar a sua construção; Anos mais tarde, a adesão à Congyi inchou, até mesmo o estacionamento subterrâneo foi usado como ponto de encontro por adoradores mais jovens, se levantou mais um milhão de dólares para construir um novo estacionamento. Todo o dinheiro veio da congregação de Congyi. Seu pastor, Gu Yuese, cujo nome é a transliteração chinesa de José, dirigiu os assuntos da igreja durante anos, e eventualmente se tornou a igreja oficial de mais alta patente sancionada pelo Partido Comunista Chinês (PCC). Em 29 de janeiro, Gu foi preso pela polícia chinesa, que afirmou "questões econômicas" como razão. Dias depois, o Partido Comunista Chinês (PCC) acusou Gu de desviar US$ 1,6 milhão. De onde, supostamente?.. ainda não está claro.

A prisão de Gu ocorre quando o governo chinês continua a fazer movimentos de mão-de-ferro para conter os cristãos chineses.

Em nome da manutenção da "segurança e beleza", o Partido Comunista Chinês (PCC) demoliu Igrejas e Cruzes - todas pintadas de vermelho como lembretes do sangue derramado pelos fiéis quando as tropas de Mao Zedong tentou apagar a Santa Fé Cristã da China há quase 50 anos.

Aqueles que falam contra as decisões do Partido Comunista Chinês (PCC) são presos e colocados em prisões. Pequim agora tenta regular igrejas protestantes e Católicas, exigindo que líderes locais respondeam ao governo chinês, em vez do Vaticano ou de outras autoridades religiosas. No passado, o Partido Comunista Chinês (PCC) usava indivíduos dentro das igrejas chinesas para atuar como ligação com o governo. Mas o elo Estado-Igreja tornou-se cada vez mais tenso quando Pequim, agora, quer forçar seu caminho para o uso do púlpito também.

Funcionários de assuntos religiosos do Partido Comunista Chinês (PCC) querem que os seus próprios usem intervalos de tempo durante o culto de domingo para educarem os fiéis sobre política e regulamentos religiosos do Partido Comunista Chinês (PCC). A idéia não é popular entre os paroquianos.

O Pastor Gu fez voz em oposição à destruição de cruzes, na província de Zhejiang.

Desde 2014, 1.800 cruzes foram derrubados pelas autoridades chinesas. .

Bob Fu, um pastor que escapou da repressão policial na China antes que ele funda-se a ChinaAid, um grupo cristão de direitos humanos com sede no Texas, compartilhou sua visão de que a prisão de Gu não era por corrupção, mas uma "vingança política".

Encarcerado, Gu escreveu uma carta à sua congregação para dizer que ele está bem, e que o inquérito sobre a alegada "apropriação indébita era para seu...". A carta continuava "próprio benefício." e "Por favor, tenham fé em nosso governo e do departamento judicial. Eles vão fazer o seu trabalho de forma rigorosa, respeitando as leis e desenterrando a verdade com imparcialidade, justiça e transparência pública."

Linhas que claramente soam suspeitas, suficiente para fazer muitos na congregação de Gu acreditarem que ele foi forçado a escrever a carta, um sentimento compartilhado pelos cidadãos chineses após a carta - ecoando nas semelhantes tornadas públicas após o rapto de cinco livreiros em Hong Kong. A mesma linguagem é usada em confissões televisionadas antes do julgamento, que também são produzidas através de coerção.

Gu foi preso nos termos do artigo 73 da Lei de Processo Penal da China, que afirma que qualquer pessoa suspeita de ter cometido um crime que põe em perigo a segurança do Estado, envolve-se em atividades terroristas, é colocado em "vigilância residencial num local designado." Isso significa que Gu está preso em um local secreto, à espera de decisão final. De acordo com o artigo 73, os suspeitos podem serem detidos por até seis meses em qualquer local escolhido pelas autoridades, e são negados visitas jurídicas ou de familiares.

Quando mais de 250 advogados de direitos humanos e os seus colaboradores foram presos em julho passado, eles foram mantidos de acordo com o traçado pelo artigo 73. Muitos foram libertados dentro de dias, mas alguns daqueles que permaneceram sob "vigilância residencial" ficaram durante meses sendo espancados e/ou torturados . Sete indivíduos que foram presos em julho foram acusados ​​de "subversão" no mês passado.

Oficialmente, a China é um país ateu, mas constitucionalmente garante a liberdade religiosa. No entanto, na prática, o Partido Comunista Chinês (PCC) é cuidadoso com todas as organizações religiosas. Em particular, os oficiais do Partido Comunista Chinês (PCC) vêem as várias entidades religiosas como forças ameaçadoras, incluindo a Igreja Católica e protestantes.

O Partido Comunista Chinês (PCC) tem pouco menos de 88 milhões de membros, enquanto pode haver até 100 milhões de cristãos na China hoje.

Wenzhou, cidade na mesma província de Hangzhou, tem cerca de 1,2 milhões de protestantes entre a sua população de 9 milhões, e é conhecido como a Jerusalém da China.

Até o final de 2014, a China era o maior produtor de Bíblias cristãs.

Ao caminhar através da cidade velha de Jerusalém ou em outros locais principais do Cristianismo, você vai encontrar muitas das cruzes e rosários a venda sendo "Made in China".

Agora que o Partido Comunista Chinês (PCC) eleva mais a voz contra a influência estrangeira, ou seja, rápidos em culparem as potências estrangeiras dos problemas domésticos, o Cristianismo é visto por Pequim como um perigo para o domínio do Partido no tecido político da China, embora as igrejas... Sejam apenas local de oração.


Os cidadãos chineses se juntam igrejas por várias razões.

Alguns entram por curiosidade e acabam retornando a cada semana. Outros se juntam aos seus vizinhos, colegas de escola ou contatos de negócios para a missa de domingo. Tornar-se parte das igrejas da China não é apenas uma questão espiritual; o também é elemento social, a união que um grupo de pessoas amigas podem oferecer. O tema mais comum é que a liderança da igreja é muito querida e respeitada. Não só existe um senso de comunidade, membros de igrejas chinesas sentem que podem confiar nos pastores ou Padres que lhes dão a Santa Missa todos os domingos, e também oferecem assistência sempre que necessário.

O Clero incorpora-se dentro da comunidade, e são agradáveis e não exclui ninguém. Isso é um enorme contraste com oficiais do Partido Comunista Chinês (PCC), que em meio a corrupção e repressão do Presidente chinês Xi Jinping ainda são vistos como indivíduos com interesses escondidos e egoístas.

Os líderes da Igreja como Gu cultivaram seguidores em massa, particularmente ao longo da costa oriental central, onde muitas igrejas estão localizadas. Igrejas locais, embora ilegais sob a lei chinesa, continuam a se espalhar e reunir novos membros de boca em boca.

Cem milhões de cristãos entre cerca de 1,4 bilhão de pessoas na China pode parecer uma pequena fatia da população, mas isso é suficiente para sacudir as fundações existenciais do Partido Comunista Chinês (PCC).

Afinal de contas, não foi há muito tempo, mais ou menos na época da Guerra Civil Americana, quando a China Imperial foi abalada por um levante pseudo-cristã que resultou de 20 à 30 milhões de mortes.

A Rebelião Taiping, liderada por um homem que afirmava ser o irmão mais novo de Jesus Cristo.

O erro de Pequim é pensar que as igrejas de Zhejiang estão com fome de poder, e este erro de cálculo está custando ao Partido Comunista Chinês (PCC) perceber que a batalha é pela a alma da China.


Guerra Fria



06 março, 2016

Santa Rosa de Viterbo [ 06 de março ]


Santa Rosa de Viterbo


Santa Rosa de Viterbo
Monumento em Viterbo em Homenagem à Santa Rosa de Viterbo


Santa Rosa de Viterbo

Santa Rosa de Viterbo foi seguidora de São Francisco desde a infância, ela nasceu só 7 anos após sua morte, em 1233.


Seu pai, João, era jardineiro, trabalhava no Convento de Santa Maria das Rosas.
Sua mãe, Catarina, trabalhavam em um mosteiro das Clarissas perto de sua casa.
Eles não podiam ter filhos e decidiram pedir a intercessão de Santa Izabel e São Zacarias, pois estavam envelhecendo. Rosa foi um milagre. Aquela era uma época terrível… Frederico II já era imperador da Cicília e rei da Germânia, mas decidiu ser também o rei dos Romanos. A Itália como a conhecemos não existia, era dividida por regiões, cada qual com um rei. Frederico invadiu a cidade de Viterbo, que ficava no caminho de Roma e pertencia aos Estados Pontifícios.

Nesses dias a tia de Rosa morreu, no cemitério, na presença de muita gente, a menina gritou: "Tia!" A defunta ressuscitou e levantou do caixão. Foi um corre corre de gente e o povo emocionado e animado com o milagre, retomou a fé em Deus. Reagiram contra o invasor, retomaram a cidade e expulsaram o governador instalado por Frederico II.
Rosa virou uma celebridade e, para preservá-la, só saía de casa para ir a Missa. Tinha oito anos quando algumas senhoras da cidade a visitavam e foi arrebatada em um êxtase na frente delas. Disse: “O Rei Luís é vencedor e os cristãos triunfam”. Soube-se, um mês depois, que Dom Luís, Rei da França, à frente dos Cruzados, tomara Damieta no Egito, dos turcos, em uma guerra longe dali que Rosa nem sabia que existia.
Com 9 anos, ficou muito doente, a beira da morte. De repente ajoelhou-se e falou baixinho o nome de Maria, ficou ali por um longo tempo, então levantou e sorriu, estava curada. Sua mãe perguntou o que aconteceu, ela respondeu: ”A Virgem Maria me apareceu. Me disse: Levanta-se minha filha porque amanhã irás a Igreja de São João Batista, depois à de São Francisco, onde tomarás o hábito da Ordem Terceira. – Rosa também contou à mãe: ”A Virgem estava enfeitada com muitas jóias e linda como uma noiva, ela foi coroada com uma coroa de Graças e cercada por um caminho de outras jovens virgens. Nossa Senhora lhe disse:

“Ó Rosa, seu perfume é como o de um vinhedo bem alto, porque, com as outras flores virginais, desde o inicio você foi plantada. Olhe para mim, como estou enfeitada e, seguindo meu exemplo, não demore em se enfeitar assim também você.”

Rosa sentiu que eram as virtudes de Nossa Senhora, aquelas jóias e não feitas de pedras e ouro. Rosa disse a mãe:

“Ela me confiou uma missão…” É que Nossa Senhora pediu a Rosa: “Você irá, fervorosamente, avisar o próximo: os pecadores e aqueles que tem abandonado a vida da fé… Repreendei-os com força e coragem, sem nenhum medo. E se por essas coisas seu pais, ou sua família, ou estranhos a censurarem, ou por qualquer outra inconveniência e tenha que suportar dificuldades, não desista, suporte pacientemente, porque essas coisas ganham grande mérito e depois, a recompensa eterna.”

Já vestida com o hábito da ordem terceira franciscana, a pequena Rosa começou a percorrer as ruas de Viterbo com um crucifixo na mão exclamando:

“Irmãos, façamos penitência e apazigüemos a cólera de Deus, pois grandes males nos esperam”.

Ela já sabia, por uma revelação Divina, que Frederico voltaria a atacar e que a cidade de Viterbo estava dividida: uns eram os “Guelfos” a favor do Papa e outros os “Gibelinos” a favor do imperador. Ao ouvir Rosa a multidão comovida, muitas vezes, interrompia a jovem missionária exclamando:

“Viva a Igreja! Viva o Papa! Viva o Nosso Senhor Jesus Cristo!”.

Teve uma vez que a multidão era tão grande que não conseguiam ver Rosa, então ela começou a levitar e ficou acima de todos, pairando no ar, continuou a falar como se nada estivesse acontecendo de extraordinário. Tempos depois, quando Rosa tinha 14 anos, Frederico II voltou a dominar Viterbo e Rosa foi presa. Ela disse ao imperador:

“Quem me manda pregar é muito mais poderoso e assim prefiro morrer a desobedecê-lo”.

Com medo da revolta do povo, Frederico não teve coragem de matar a menina, só mandou que expulsassem Rosa e sua família da cidade. A família de Rosa foi viver na cidade de Soriano, lá ela continuou a pregar a paz nas praças, curou cegos, transformou pães em rosas. Lá um ateu discutiu com Rosa e a obrigou a entrar numa fogueira para provar que Deus existe, Rosa saiu sem nenhum sinal de queimadura. Um outro dia caiu na frente de todos o cabelo e a barba de um homem que zombava da fé de Rosa. E o mais engraçado de tudo: após ser acusada por uma mulher de roubar uma galinha para desmoralizá-la, nasceu uma pena de galinha no rosto da acusadora. Só depois da mulher admitir que tinha mentido, a pena caiu…

Essas coisas que só acontecem mesmo com Santos Franciscanos.

Por fim o anjo de Rosa lhe apareceu e disse que dentro de poucos dias o Imperador Frederico II morreria.

Assim foi que ela pode voltar para Viterbo com seus pais e toda região passou a viver em paz.
Santa Rosa de Viterbo

Rosa morreu aos 17 anos.

Foi canonizada em 1457 pelo Papa Calisto III, por ter sido corajosa e destemida no anúncio do Evangelho, é a Santa padroeira da Juventude Franciscana e, em setembro de 1929, o Papa Pio XI a declarou padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica Italiana.

A Igreja comemora sua festa dia 6 de março.

Santa Rosa de Viterbo, rogai por nós!
A Igreja comemora sua festa dia 6 de março.
Foi canonizada em 1457 pelo Papa Calisto III, por ter sido corajosa e destemida no anúncio do Evangelho, é a Santa padroeira da Juventude Franciscana e, em setembro de 1929, o Papa Pio XI a declarou padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica Italiana.

Fonte: » Canção Nova «

03 março, 2016

Evangelho segundo São Mateus Cap. IIA FUGA PARA O EGITO

A Fuga para o Egito
A Fuga para o Egito. Azulejos na cidade do Porto, na » Igreja de Trofa « , em Portugal ( Panteão dos Lemos ).


Evangelho segundo São Mateus Cap. II
A FUGA PARA O EGITO

13 Depois que os magos se retiraram, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta- te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para matá- lo”. 14 José levantou-se, de noite, com o menino e a mãe, e retirou-se para o Egito; 15 e lá ficou até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu filho”. 16 Quando Herodes percebeu que os magos o tinham enganado, ficou furioso. Mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o território vizinho, de dois anos para baixo, de acordo com o tempo indicado pelos magos. 17 Assim se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias: 18 “Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos e não quer ser consolada, pois não existem mais”.

21 janeiro, 2016

"Elias, o profeta deve estar chorando "

O Estado Islâmico destrói o mais antigo mosteiro cristão
« 20 de janeiro de 2016 por Hannah Tooley »


Um grupo cristão que trabalha no Oriente Médio disse que é "devastadora" a notícia que o mais antigo mosteiro do Iraque foi destruído.

Na quarta-feira fotos de satélite confirmaram os temores de que o mais antigo mosteiro cristão no Iraque foi destruído pelo Estado Islâmico.

Miles Windsor, agente de desenvolvimento no Middle East Concern, disse ao News Hour da Premier de Ele era mais do que apenas um edifício. Ele disse:

"Seria fácil, e, possivelmente, um pouco simplista para mim dizer que essas coisas são apenas tijolos e argamassa. [É] parte da identidade da herança cristã do Iraque, este apagar do passado do Iraque tem um impacto sobre a psicologia dos cristãos no país."

"Houve problemas antes, enquanto este é um período negro na história do Iraque, na verdade, acreditamos que o nosso Deus é maior e que o cristianismo vai durar para além dele."


O Mosteiro de São Elias manteve-se como um lugar de culto por 1.400 anos, foi recentemente utilizado por tropas norte-americanas. Embora o telhado praticamente fosse inexistente, tinha 26 quartos, incluindo um santuário e a capela. A demolição em si ocorreu em algum momento entre agosto e setembro de 2014.

As imagens de satélite da DigitalGlobe que usou uma câmera de alta resolução para tirar fotos do local, o analista de imagens, Stephen Wood, CEO da Análise, referiu que as fotos mostravam que "as paredes de pedra foram literalmente pulverizadas. "


« Foto e matéria pela BBC »

O Padre católico Rev. Paul Thabit Habib também expressou a sua consternação.

"Nossa história cristã em Mosul está sendo barbaramente destruída", disse ele.

"Vemos isso como uma tentativa de nos expulsar do Iraque, eliminando a nossa existência nesta terra."

Capelão do Exército da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, Jeffrey Whorton, que celebrou a missa no altar do mosteiro disse:

"Elias, o profeta deve estar chorando ".


07 janeiro, 2016

Cardeal Mindszenty [ Hungria Sob as Botas do Comunismo ]


Cardeal Joseph Mindszenty, Arcebispo de Strigonia

Nascido József Pehm, estudou no seminário de Szombathely e foi ordenado sacerdote da Igreja Católica em 12 de junho de 1915 para servir em Szombathely, Hungria, como vigário cooperador.

No seu trabalho pastoral demonstrou uma preferência pelos pobres e pelas almas simples, cuidou pessoalmente da catequese e da assistência religiosa dos ciganos.

Foi preso durante a revolução comunista de Bela Kun em 1919; Eleito bispo de Veszprém em 3 de março e ordenado em 25 de março de 1944.

Cardeal Joseph Mindszenty, Arcebispo de Strigonia

Caiu prisioneiro do regime NaziSocialista em 1944-1945 de quem se mostrou adversário depois de ter ajudado inúmeros judeus a fugir.

Foi nomeado Arcebispo Metropolitano de Esztergom em 2 de outubro de 1945, cargo em que permaneceu até 18 de dezembro de 1973.

Foi elevado a Cardeal em 18 de fevereiro de 1946 pelo papa Pio XII com o título de cardeal-presbítero de "Santo Stefano de Monte Celio".

Preso pelo regime Comunista em 1949 e libertado por ocasião da Revolução Húngara de 1956, obteve asilo na embaixada dos Estados Unidos até 1971.

Por ocasião da sua prisão por parte das autoridades húngaras (2 de janeiro de 1949) o Papa Pio XII escreveu a Carta "Acerrimo Moerore", de protesto, dirigida aos Arcebispos e Bispos da Hungria.

Foi impedido pelo regime de participar dos conclaves de 1958 e 1963 que procederam à eleição dos papas João XXIII e Paulo VI, respectivamente.

Faleceu no exílio, em Viena em 6 de maio de 1975.


“Papa Pio XII

Carta de Sua Santidade o Papa Pio XII,

Arcebispos e Bispos da Hungria*,

IN sinal de protesto contra a prisão do Arcebispo de Strigonia

Veneráveis ​​Irmãos, Saúde e Bênçãos Apostólicas.”


A notícia de quê o nosso Filho amado, o Cardeal Joseph Mindszenty, Arcebispo de Strigonia, com coragem temerária foi preso e removido de sua Sede, ficamos-nos com profunda tristeza, como se vê neste Prelado, por ele merecedor, gravemente ofendidos tanto com o devido respeito sagrado à religião, e até mesmo a dignidade humana.

A consciência nos impõem o dever de expressar publicamente o nosso pesar e nossa indignação do que foi perpetrado contra os direitos da Igreja; o que aconteceu não foi só contra ti, mas contra os católicos da Hungria e de todo o Mundo, com uma enorme tristeza rejeitamos solenemente o insulto infligido a toda à Igreja.

Sabemos bem o mérito deste grande Pastor; Sabemos da tenacidade e a virgindade de sua fé; sabemos de sua fortaleza apostólica em proteger a integridade da doutrina cristã e em reivindicar os direitos sagrados da religião. Que com peito destemido e forte, sentiu o dever de se opor quando viu que a liberdade da Igreja estava cada vez mais limitada e restrita em muitos aspectos, e especialmente quando viu o grave prejuízo dos fiéis impedidos do Magistério e Ministério Eclesiástico - que não deve ser exercido apenas em Igrejas, mas também ao ar livre em manifestações públicas de Fé, em escolas, faculdades, na imprensa, nas Piedosas Romarias aos Santuários e nas Associações Católicas - este certamente não é uma razão para que carregue a desonra, mas sim de Alto Elogio, pois a ele se deve atribuir o ofício do Pastor vigilante.

Desejamos, portanto, Veneráveis ​​Irmãos, ter um papel ativo com ânimo paterno a sua dor e seu sofrimento; Desejamos puramente no nome do Senhor a nossa exortação, porque, como sempre costumava fazer, para que de uma forma muito especial neste momento grave gostaríamos que continuem a cumprir os seus Ministérios Pastorais com diligência assídua e unidade de mente, coração e trabalho, tendo sempre presente que a liberdade da Igreja e de seus direitos sagrados não só se deve suportar nas dificuldades e nas dores, mas também na privação da vida, se tal for necessário. Temos toda a confiança que irão responder a este nosso apelo, com muito trabalho espontâneo e entusiasmado; e que todos os Católicos da Hungria, tão caros a nós, cuja história brilha de glórias nos anais da Igreja, será igual a Vós mesmo nas contingências conturbadas e difíceis da hora presente, e, também darão a outros povos o belo exemplo da fortaleza cristã.

Sabemos que a tempestade perigosa se abate sobre Vós e ao rebanho confiado aos Vossos cuidados; mas da mesma forma que são conhecidos pelo zelo apostólico, de igual modo, é certo e comprovado a sua prudência pastoral e forte unidade de propósito, conselhos e obras; e por isso é conhecido e experiente o indomável da firmeza vossas, que, apoiando-se apenas em Deus, tudo pode vencer, e nada pode superar. Assim, unindo as suas diretivas e fundindo a vossas força, vão em frente, Veneráveis ​​Irmãos, armados com aquela fortaleza, que vem do Céu e alimentada pela Graça Divina. Não se deixe enganar pela aparência enganadora de verdade, que é geralmente por meio do engano e da sedução que atrai as almas. Os seus antepassados ​​que já no passado tiveram de resistir a todo tipo de erros e superar as mais graves dificuldades, brilhantemente ensinaram que a religião cristã pode ser caluniada e agredida, mas não pode ser conquistada!

Caminhem confiantes atrás dos seus exemplos; tudo o que a doutrina cristã exige em matéria de fé e ação, tanto para vocês é campo fértil do apostolado, que o apostolado dos quais fazem esforços sem pedires e que não sejas agitado ou perturbado por qualquer medo. Vocês encontrarão o conforto, dos quais vocês não conseguirão encontrar mais: o conforto de trabalhar e lutar pelo Reino pacificador e saudar Cristo, o Reino que não é deste mundo [1], porque tens a tarefa de reformares os costumes, e dirigir todos deste terreno de exílio até a pátria celeste ea felicidade eterna.

Em particular, gostaríamos, Veneráveis ​​Irmãos, que, levantando suas orações, mesmo àqueles que vos perseguem, o Divino Redentor e sua Santíssima Mãe, Padroeira da Hungria, em conjunto e com insistência imploreis a luz celestial para as mentes obscurecidas pelo erro, concórdia e cooperação àqueles que são discriminados pelo ódio e rancor, que surgem no passado, com a ajuda da Graça Divina, tempos melhores e mais tranqüilidade para a Vossa Pátria Amada. Dais credibilidade e implementares esses Nossos desejos e votos à Bênção Apostólica que concedemos com muito carinho a vós, Veneráveis ​​Irmãos, aos rebanhos confiados à Vós e especialmente àqueles "que sofrem perseguição por causa da justiça" [2].

Roma, junto de São Pedro, 02 de janeiro de 1949, festa da Ss.mo Nome de Jesus, o décimo ano do nosso pontificado.

PAPA PIO XII


*Discurso e Mensagem Radiofônica de Sua Santidade Pio XII, X, Décimo ano de Pontificado, 2 de Março de 1948 - 1° de Março de 1949, pp. 437-439 Tipografia Poliglotta Vaticana

📄 [ 1 ] São João XVIII, 36 "Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo."
📄 [ 2 ] São Mateus V, 10 "Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!"

“PIUS PP. XII

EPISTULA AD EXC.MOS PP. DD.

ARCHIEPISCOPOS ET EPISCOPOS HUNGARIAE*.

Venerabiles Fratres, salutem et Apostolicam Benedictionem.”


Acerrimo moerore comperimus Dilectum Filium Nostrum Iosephum S. R. E. Card. Mindszenty, Archiepiscopum Strigoniensem, e sua fuisse sede temerario ausu deturbatum et in publicam deductum custodiam; quod quidem in Praesule meritissimo sacram religionis maiestatem ipsamque offendit humanam dignitatem. Postulat igitur officii Nostri conscientia ut hoc contra Ecclesiae iura facinus, quod non modo vos, sed omnes etiam Hungariae universique terrarum orbis catholicos summa maestitia indignationeque affecit, publice deploremus et conqueramur, illatamque cunctae Ecclesiae iniuriam sollemniter expostulemus. Novimus optimi huius Pastoris promerita; novimus illibatam tenacemque eius fidem; novimus denique apostolicam eius fortitudinem in christianae doctrinae integritate tuenda et in sanctissimis vindicandis religionis iuribus.

Quodsi forti strenuoque pectore obstitit, cum vidit Ecclesiae libertatem cotidie magis minui ac multimodis coangustari, itemque cum non sine magno christifidelium detrimento perspexit eius magisterium ministeriumque praepediri — quod quidem in templis non solum, sed publice etiam in aperta fidei professione, in litterarum ludis ac scholis, in scriptis typis edendis, in piisque ad sacras aedes peregrinationibus et in coetibus ab Actione Catholica nuncupatis exerceri oportet — id profecto non dedecori vertitur, sed laudi potius, cum sit pastoralis eius vigilantiae officio tribuendum.

Cupimus igitur, Venerabiles Fratres, dolorem luctumque vestrum paterno participare animo: vosque etiam atque etiam in Domino adhortari ut, quemadmodum soletis semper, sic praesertim in gravissimo hoc rerum discrimine, uno animo unaque mente et opera demandatum vobis pastorale munus sedulo sollerterque obire ne desistatis, memores profecto pro Ecclesiae libertate ac sacrosanctis eius iuribus non modo labores angoresque, sed vitae etiam iacturam, si oporteat, esse tolerandam. Pro certo autem habemus vos paternae huic adhortationi Nostrae ultro esse actuoseque responsuros; atque universam catholicam Hungariam, Nobis sane carissimam, cuius historia tot gloriosis resonat Ecclesiae fastis, impeditissimis hisce rerum conditionibus parem omnino fore, ac ceteris etiam gentibus praeclara christianae fortitudinis exempla esse praebituram.

Haud ignoramus quidem praesentis tempestatis gravitatem, quae in vos in gregemque vestrum formidolose ingruit; sed pari modo apostolicum studium vestrum, pastoralis prudentia animorumque vestrorum in decernendo agendoque coniunctio et unitas Nobis perspecta atque explorata sunt; nec minus est Nobis cognita ac comprobata indomita illa strenuitas vestra, quae cum Deo unice fidat eiusque innitatur auxilio, omnia potest evincere ac superare. Collatis igitur consiliis ac viribus, pergite fortes, Venerabiles Fratres, ea quidem fortitudine quae a Caelo oritur ac divina alitur gratia. Ne fallaci decipiamini veritatis specie, quae per praestigias solet allectationesque inescare animos. Maiores vestri, qui iam superioribus aetatibus omne genus erroribus obstiterunt ac tam adversas eluctati sunt difficultates, luculenter vos docent christianam religionem accusari atque oppugnari posse, vinci non posse.

Eorum vestigiis fidentes insistite; et quidquid inviolata fides postulat, quidquid christiana praecepta in credendo agendoque requirunt, in id sedulo incumbite, nullis parcentes laboribus nullaque formidine deterriti. Hoc esto vobis solacium, quo maius profecto haberi non potest: vos nempe pro pacifico ac salutari Christi Regno decertare, quod non est de hoc mundo (cfr. Io. 18, 36), sed cuius est hominum mores veritate, iustitia, caritate temperare omnesque per terrestrem hanc peregrinationem ad caelestem patriam reducere aeternamque beatitatem.

Peculiari autem modo optamus, Venerabiles Fratres, ut precibus etiam pro iis qui vos persequuntur ad Divinum Redemptorem admotis ad eiusque sanctissimam Matrem, Hungariae Patronam, una simul contendatis ut mentibus errore infuscatis superna lux affulgeat, ut animos odio simultateque dissociatos christiana concordia conciliet atque componat, utque tandem aliquando meliora ac tranquilliora dilectissimae patriae vestrae, caelesti opitulante gratia, oriantur tempora.

Quorum ominum votorumque effectrix esto Apostolica Benedictio, quam vobis, Venerabiles Fratres, ac gregibus unicuique vestrum concreditis, iisque praesertim, « qui persecutionem patiuntur propter iustitiam » ( Matth. 5, 10), amantissime in Domino impertimus.

Datum Romae, apud Sanctum Petrum, die II mensis Ianuarii, in festo Sanctissimi Nominis Iesu, anno MDCCCCXXXXIX, Pontificatus Nostri decimo.

PIUS PP. XII


*Discorsi e Radiomessaggi di Sua Santità Pio XII, X, Decimo anno di Pontificato, 2 marzo 1948 - 1° marzo 1949, pp. 437-439

Tipografia Poliglotta Vaticana

03 janeiro, 2016

Trecho de [ JUSTINO DE ROMA I Apologia ] Petição final


São Justino

Trecho de JUSTINO DE ROMA in I Apologia, Petição final

68. 1Portanto, se vos parece que tais doutrinas provêm da razão e da verdade, respeitai-as; mas se as considerais como charlatanice ou coisa de charlatães, desprezai-as. Não decreteis, porém, pena de morte, como contra inimigos, contra aqueles que nenhum crime cometem. 2De fato, vos avisamos de antemão, que, se vos obstinais em vossa iniqüidade, não escapareis do futuro julgamento de Deus. De nossa parte, exclamaremos: "Aconteça o que Deus quiser". 3Poderíamos também exigir que mandeis celebrar os julgamentos dos cristãos conforme nossa petição, apoiando-nos na carta do máximo e gloriosíssimo César Adriano, vosso pai. Todavia, não vos fizemos nossa súplica, nem dirigimos nossa exposição, porque Adriano o julgasse assim, mas porque estamos persuadidos da justiça de nossas petições. 4Contudo, anexamos para vós uma cópia da carta de Adriano, para que vejais, segundo o seu teor, que dizemos a verdade. 5A cópia é a seguinte: "A Mimício Fundano. 6Recebi uma carta que me foi escrita por Serênio Graniano, homem distinto, a quem sucedeste. 7Não me parece que o assunto deva ficar sem esclarecimento, a fim de que os homens não se perturbem, nem se facilitem as malfeitorias dos delatores. 8Dessa forma, se os provincianos são capazes de sustentar abertamente a sua demanda contra os cristãos, de modo que respondam a ela diante do tribunal, deverão ater-se a esse procedimento e não a meras petições e gritarias. 9Com efeito, é muito mais conveniente que, se alguém pretende fazer uma acusação, examines tu o assunto. 10Em conclusão, se alguém acusa os cristãos e demonstra que realizam alguma coisa contra as leis, determina a pena, conforme a gravidade do delito. Mas, por Hércules, se a acusação é caluniosa, castiga-o com maior severidade e cuida para que não fique impune."


São Justino
📄 Theophanes Strelitzas (1490–1559)
[ Justino, o Filósofo ] (Entre 1545–1546)
[ Monastério Stavronikita / Μονή Σταυρονικήτα ]


São Justino, filósofo e mártir, nasceu por volta do ano 100 na antiga Siquém, em Samaria, na Terra Santa; ele procurou por muito tempo a verdade, peregrinando nas várias escolas da tradição filosófica grega. Finalmente como ele mesmo narra nos primeiros capítulos do seu Diálogo com Trifão, um personagem misterioso, um idoso encontrado à beira-mar, inicialmente pô-lo em dificuldade, demonstrando-lhe a incapacidade do homem de satisfazer unicamente com as suas forças a aspiração pelo divino. Depois indicou-lhe nos antigos profetas as pessoas às quais se dirigir para encontrar o caminho de Deus e a "verdadeira filosofia". Ao despedir-se dele, o idoso exortou-o à oração, para que lhe fossem abertas as portas da luz. A narração vela o episódio crucial da vida de Justino: no final de um longo itinerário filosófico de busca da verdade, ele alcançou a fé cristã. Fundou uma escola em Roma, onde gratuitamente iniciava os alunos na nova relagião, considerada como a verdadeira filosofia. De facto, nela tinha encontrado a verdade e portanto a arte de viver de modo recto. Por este motivo foi denunciado e foi decapitado por volta do ano de 165, sob o reinado de Marco Aurélio, o imperador filósofo ao qual o próprio Justino tinha dirigido a sua Apologia.

São estas as duas Apologias e o Diálogo com o Judeu Trifão as únicas obras que nos restam dele. Nelas Justino pretende ilustrar antes de tudo o projecto divino da criação e da salvação que se realiza em Jesus Cristo, o Logos, isto é o Verbo eterno, a Razão eterna, a Razão criadora. Cada homem, como criatura racional, é partícipe do Logos, leva em si uma "semente", e pode colher os indícios da verdade. Assim o mesmo Logos, que se revelou como figura profética aos Judeus na Lei antiga, manifestou-se parcialmente, como que em "sementes de verdade", também na filosofia grega. Mas, conclui Justino, dado que o cristianismo é a manifestação histórica e pessoal do Logos na sua totalidade, origina-se que "tudo o que foi expresso de positivo por quem quer que seja, pertence a nós cristãos" (2 Apol. 13, 4).

Deste modo Justino, mesmo contestando à filosofia grega as suas contradições, orienta decididamente para o Logos toda a verdade filosófica, motivando do ponto de vista racional a singular "pretensão" de verdade e de universalidade da religião cristã. Se o Antigo Testamento tende para Cristo como a figura orienta para a realidade significada, a filosofia grega tem também por objectivo Cristo e o Evangelho, como a parte tende a unir-se ao todo. E diz que estas duas realidades, o Antigo Testamento e a filosofia grega, são como os dois caminhos que guiam para Cristo, para o Logos. Eis por que a filosofia grega não se pode opor à verdade evangélica, e os cristãos podem inspirar-se nela com confiança, como num bem próprio. Por isso, o meu venerado Predecessor, o Papa João Paulo II, definiu Justino "pioneiro de um encontro positivo com o pensamento filosófico, mesmo se no sinal de um cauto discernimento": porque Justino, "mesmo conservando depois da conversão grande estima pela filosofia grega, afirmava com vigor e clareza que tinha encontrado no cristianismo "a única filosofia segura e proveitosa" (Dial. 8, 1)" (Fides et ratio, 38).

Na sua totalidade, a figura e a obra de Justino marcam a opção decidida da Igreja antiga pela filosofia, mais pela razão do que pela religião dos pagãos. Com a religião pagã, de facto, os primeiros cristãos rejeitaram corajosamente qualquer compromisso. Consideravam-na idolatria, à custa de serem acusados por isso de "impiedade" e de "ateísmo". Em particular Justino, especialmente na sua primeira Apologia, fez uma crítia implacável em relação à religião pagã e aos seus mitos, por ele considerados diabólicas "despistagens" no caminho da verdade. A filosofia representou ao contrário a área privilegiada do encontro entre paganismo, judaísmo e cristianismo precisamente no plano da crítica à religião pagã e aos seus falsos mitos. "A nossa filosofia...": assim, do modo mais explícito, definiu a nova religião outro apologista contemporâneo de Justino, o Bispo Melitão de Sardes (ap. Hist. Eccl. 4, 26, 7).

De facto, a religião pagã não percorria os caminhos do Logos, mas obstinava-se pelas do mito, até a filosofia grega o considerava privado de consistência na verdade. Por isso o ocaso da religião pagã era inevitável: fluía como consequência lógica do afastamento da religião reduzida a um conjunto artificial de cerimónias, convenções e hábitos da verdade do ser. Justino, e com ele os outros apologistas, selaram a tomada de posição clara da fé cristã pelo Deus dos filósofos contra os falsos deuses da religião pagã. Era a opção pela verdade do ser contra o mito do costume.

Alguns decénios após Justino, Tertuliano definiu a mesma opção dos cristãos com uma sentença lapidária e sempre válida: "Dominus noster Christus veritatem se, non consuetudinem, cognominavit Cristo afirmou ser a verdade, não o costume" (De virgin. vel. 1, 1). A este propósito observe-se que a palavra consuetudo, aqui empregada por Tertuliano referindo-se à religião pagã, pode ser traduzida nas línguas modernas com as expressões "moda cultural", "moda do tempo".

Numa época como a nossa, marcada pelo relativismo no debate sobre os valores e sobre a religião assim como no diálogo inter-religioso esta é uma lição que não se deve esquecer. Para esta finalidade proponho-vos e assim concluo as últimas palavras do idoso misterioso, que o filósofo Justino encontrou à beira-mar: "Tu reza antes de tudo para que as portas da luz te sejam abertas, porque ninguém pode ver e compreender, se Deus e o seu Cristo não lhe concedem discernir" (Dial. 7, 3).

30 dezembro, 2015

S. João Maria Vianney [ Sermão sobre a Pureza ]


S. João Maria Vianney
S. João Maria Vianney

Sermão sobre a Pureza
“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” (Mt.5,8)
Nós lemos no Evangelho, que Jesus Cristo, querendo ensinar ao povo que vinha em massa, aprender dEle o que era preciso fazer para ter a vida eterna, senta-se e, abrindo a boca, lhes diz: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” Se nós tivéssemos um grande desejo de ver a Deus, meus irmãos, só estas palavras não seriam acaso suficientes para nos fazer compreender quanto a pureza nos torna agradáveis a Ele, e quanto ele nos é necessária? Pois, segundo Jesus Cristo, sem ela, nós não o veremos jamais! “Bem-aventurados, nos diz Jesus Cristo, os puros de coração, porque eles verão o bom Deus”. Pode-se acaso esperar maior recompensa que a que Jesus Cristo liga a esta bela e amável virtude, a saber, a posse das Três Pessoas da Santíssima Trindade, por toda a eternidade? ... S. Paulo, que conhecia bem o preço desta virtude, escrevendo aos Coríntios, lhes diz: “Glorificai a Deus, pois vós o levais em vossos corpos; e sede fiéis em conservá-los em grande pureza. Lembrai-vos bem, meus filhos, de que vossos membros são membros de Jesus Cristo, e que vossos corações são templos do Espírito Santo. Tomai cuidado de não os manchar pelo pecado, que é o adultério, a fornicação, e tudo aquilo que pode desonrar vossos corpo e vosso coração aos olhos de Deus, que a pureza mesma”. (I Cor, 6, 15-20) Oh! Meus irmãos, como esta virtude é bela e preciosa, não somente aos olhos dos homens e dos anjos, mas aos olhos do próprio Deus. Ele faz tanto caso dela que não cessa de a louvar naqueles que são tão felizes de a conservar. Também, esta virtude inestimável constitui o mais belo adorno da Igreja, e, por conseguinte, deveria ser a mais querida dos cristãos. Nós, meus irmãos, que no Santo Batismo fomos rociados com o Sangue adorável de Jesus Cristo, a pureza mesma; neste Sangue adorável que gerou tantas virgens de um e outro sexo; nós, a quem Jesus Cristo fez participantes de sua pureza, tornando-nos seus membros, seu templo... Mas, ai! Meus irmãos, neste infeliz século de corrupção em que vivemos, não se conhece mais esta virtude, esta celeste virtude que nos torna semelhantes aos anjos!... Sim, meus irmãos, a pureza é uma virtude que nos é necessária a todos, pois que, sem ela, ninguém verá o Bom Deus. Eu queria fazervos conceber desta virtude uma idéia digna de Deus, e vos mostrar, 1º. quanto ela nos torna agradáveis a Seus olhos, dando um novo grau de santidade a todas as nossas ações, e 2º. o que nós devemos fazer para conservá-la.

S. João Maria Vianney [ Sermão da Pureza ] I


S. João Maria Vianney
S. João Maria Vianney

Sermão sobre a Pureza
“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” (Mt.5,8)
I – Quanto a pureza nos torna agradáveis a Deus

Seria preciso, meus irmãos, para vos fazer compreender bem a estima que devemos ter desta incomparável virtude, para vos fazer a descrição de sua beleza, e vos fazer apreciar bem seu valor junto de Deus, seria preciso, não um homem mortal, mas um anjo do céu. Ouvindo-o, vós diríeis com admiração: Como todos os homens não estão dispostos a sacrificar tudo antes que perder uma virtude que nos une de uma maneira íntima com Deus? Procuremos, contudo, conceber dela alguma coisa, considerando que dita virtude vem do céu, que ela faz descer Jesus Cristo sobre a terra, e que eleva o homem até o céu, pela semelhança que ela dá com os anjos, e com o próprio Jesus Cristo. Dizei-me, meus irmãos, de acordo com isto, acaso não merece ela o título de preciosa virtude? Não é ela digna de toda nossa estima e de todos os sacrifícios necessários para conservá-la? Nos dizemos que a pureza vem do céu, porque só havia o próprio Jesus Cristo que fosse capaz de no-la ensinar e nos fazer sentir todo o seu valor. Ele nos deixou o exemplo prodigioso da estima que teve desta virtude. Tendo resolvido na grandeza de sua misericórdia, resgatar o mundo, Ele tomou um corpo mortal como o nosso; mas Ele quis escolher uma Virgem por Mãe. Quem foi esta incomparável criatura, meus irmãos? Foi Maria, a mais pura entre todas e por uma graça que não foi concedida a ninguém mais, foi isenta do pecado original. Ela consagrou sua virgindade ao Bom Deus desde a idade de três anos, e oferecendo-lhe seu corpo, sua alma, ela lhe fez o sacrifício mais santo, o mais puro e o mais agradável que Deus jamais recebeu de uma criatura sobre a terra. Ela manteve este sacrifício por uma fidelidade inviolável em guardar sua pureza e em evitar tudo aquilo que pudesse mesmo de leve empanar seu brilho. Nós vemos que a Virgem Santa fazia tanto caso desta virtude, que Ela não queria consentir em ser Mãe de Deus antes que o anjo lhe tivesse assegurado que Ela não a perderia. Mas, tendo lhe dito o anjo que, tornando-se Mãe de Deus, bem longe de perder ou empanar sua pureza de que Ela fazia tanta estima, Ela seria ainda mais pura e mais agradável a Deus, consentiu então de bom grado, a fim de dar um novo brilho a esta pureza virginal. Nós vemos ainda que Jesus Cristo escolhe um pai nutrício que era pobre, é verdade; mas ele quis que sua pureza estivesse por sobre a de todas as outras criaturas, exceto a Virgem Santa. Dentre seus discípulos, Ele distingue um, a quem Ele testemunhou uma amizade e uma confiança singulares, a quem Ele fez participante de seus maiores segredos, mas Ele toma o mais puro de todos, e que estava consagrado a Deus desde sua juventude.

Santo Ambrósio nos diz que a pureza nos eleva até o céu e nos faz deixar a terra, enquanto é possível a uma criatura deixá-la. Ela nos eleva por sobre a criatura corrompida e, por seus sentimentos e seus desejos, ela nos faz viver da mesma vida dos anjos. Segundo São João Crisóstomo, a castidade duma alma é de um preço aos olhos de Deus maior que a dos anjos, pois que os cristãos só podem adquirir esta virtude pelos combates, enquanto que os anjos a têm por natureza. Os anjos não têm nada a combater para conservá-la, enquanto que um cristão é obrigado a fazer uma guerra contínua a si mesmo. S. Cipriano acrescenta que, não somente a castidade nos torna semelhantes aos anjos, mas nos dá ainda um caráter de semelhança com o próprio Jesus Cristo. Sim, nos diz este grande santo, uma alma casta é uma imagem viva de Deus sobre a terra.

Quanto mais uma alma se desapega de si mesma pela resistência às suas paixões, mais ela se une a Deus; e, por um feliz retorno, mais o bom Deus se une a ela; Ele a olha, Ele a considera como sua esposa, como sua bem-amada; faz dela o objeto de suas mais caras complacências, e fixa nela sua morada para sempre. “Bem-aventurados, nos diz o Salvador, os puros de coração, porque eles verão ao bom Deus”. Segundo S. Basílio, se encontramos a castidade numa alma, encontramos aí todas as outras virtudes cristãs, ela as praticará com uma grande facilidade, “porque” - nos diz ele – “para ser casto é preciso se impor muitos sacrifícios e fazerse uma grande violência. Mas uma vez que alcançou tais vitórias sobre o demônio, a carne e o sangue, todo o resto lhe custa muito pouco, pois uma alma que subjuga com autoridade a este corpo sensual, vence facilmente todos os obstáculos que encontra no caminho da virtude”. Vemos também, meus irmãos, que os cristãos castos são os mais perfeitos. Nós os vemos reservados em suas palavras, modestos em todos os seus passos, sóbrios em suas refeições, respeitosos no lugar santo e edificantes em toda sua conduta. Santo Agostinho compara aqueles que têm a grande alegria de conservar seu coração puro, aos lírios que se elevam diretamente ao céu e que difundem em seu redor um odor muito agradável; só a vista deles nos faz pensar naquela preciosa virtude. Assim a Virgem Santa inspirava a pureza a todos aqueles que a olhavam... Bem-aventurada virtude, meus irmãos, que nos põe entre os anjos, que parece mesmo elevar-nos por sobre eles!

S. João Maria Vianney [ Sermão sobre a Pureza ] II


S. João Maria Vianney
S. João Maria Vianney

Sermão sobre a Pureza
“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” (Mt.5,8)
II - O amor que os Santos tinham por esta virtude

Todos os Santos fizeram o maior caso dela e preferiram perder seus bens, sua reputação e sua própria vida a descorar esta virtude.

Nós temos um belo exemplo disto na pessoa de Santa Inês. Sua formosura e suas riquezas fizeram com que, à idade de doze anos, ela fosse procurada pelo filho do prefeito da cidade de Roma. Ela lhe fez saber que estava consagrada ao bom Deus. Ela foi presa sob o pretexto de que era cristã, mas em realidade para que consentisse nos desejos do rapaz. Ela estava de tal modo unida a Deus que nem as promessas, nem as ameaças, nem a vista dos carrascos e dos instrumentos expostos diante de si para amedrontá-la, não a fizeram mudar de sentimentos. Não tendo conseguido nada dela, seus perseguidores a carregaram de cadeias, e quiseram colocar uma argola e anéis em seu pescoço e em sua mãos; eles não puderam fazê-lo, tão débeis eram suas pequenas mãos inocentes. Ela permaneceu firme em sua resolução, no meios destes lobos enraivecidos, ela ofereceu seu corpinho aos tormentos com uma coragem que espantou aos carrascos. Arrastam-na aos pés dos ídolos; mas ela confessa bem alto que só reconhece por Deus a Jesus Cristo, e que os ídolos deles não são mais que demônios. O juiz, cruel e bárbaro, vendo que não consegue nada, crê que ela será mais sensível diante da perda daquela pureza que ela estimava tanto. Ele ameaça expô-la num lugar infame; mas ela responde com firmeza; “Vós podeis fazer-me morrer, mas não podereis jamais fazer-me perder este tesouro: o próprio Jesus Cristo é zeloso deste tesouro.” O juiz, morrendo de raiva, manda conduzi-la ao lugar das torpezas infernais. Mas Jesus Cristo, que velava por ela duma maneira particular, inspira um tão grande respeito aos guardas, que eles só a olhavam com uma espécie de pavor, e manda a Seus anjos que a protejam. Os jovens que entram naquele quarto, inflamados de um fogo impuro, vendo um anjo ao lado dela, mais belo que o sol, saem dali abrasados do amor divino. Mas o filho do prefeito, mais perverso e mais corrompido que os outros, penetra no quarto onde estava santa Inês. Sem ter consideração por todas aquelas maravilhas, ele se aproxima dela na esperança de contentar seus desejos impuros; mas o anjo que guarda a jovem mártir fere o libertino que cai morto a seus pés. Rapidamente se espalha em Roma o boato de que o filho do prefeito tinha sido morto por Inês. O pai, enfurecido, vem encontrar a santa e se entrega a tudo o que seu desespero lhe pode inspirar. Ele a chama de fúria do inferno, monstro nascido para a desolação de sua vida, pois tinha feito morrer seu filho. Santa Inês lhe responde tranqüilamente: “É que ele quis fazer-me violência, então o meu anjo lhe deu a morte.” O prefeito, um pouco acalmado, lhe diz: pois bem, pede a teu Deus para ressuscitá-lo, para que não se diga que foste tu que o mataste.” – Sem dúvida, diz-lhe a Santa, vós não mereceis esta graça; mas para que saibais que os cristãos nunca se vingam, mas, pelo contrário, eles pagam o mal com o bem, saí daqui, e eu vou pedir ao bom Deus por ele.” Então Inês se põe de joelhos, prostrada com a face em terra. Enquanto ela reza, seu anjo lhe aparece e lhe diz: “Tenha coragem”. No mesmo instante o corpo inanimado retoma a vida. O jovem ressuscitado pelas orações da Santa, se retira da casa, corre pelas ruas de Roma gritando: “Não, não, meus amigos, não há outro Deus que o dos cristãos, todos os deuses que nós adoramos não são mais que demônios que nos enganam e nos arrastam ao inferno.” Entretanto, apesar de um tão grande milagre, não deixaram de a condenar. Então o tenente do prefeito manda que se acenda um grande fogo, e faz lançá-la nele. Mas as chamas entreabrindo-se, não lhe fazem nenhum mal e queimam os idólatras que acudiram para serem espectadores de seus combates. O tenente, vendo que o fogo a respeitava e não lhe fazia nenhum mal, ordena que a firam com um golpe de espada na garganta, afim de lhe tirar a vida; mas o carrasco treme como se ele mesmo estivesse condenado à morte... Como os pais de Santa Inês chorassem a morte de sua filha, ela lhes aparece dizendo-lhes: “Não choreis minha morte, pelo contrário, alegrai-vos de eu Ter adquirido uma tão grande glória no Céu”.

Estais vendo, meus irmãos, o que esta Santa sofreu para não perder sua virgindade. Formai agora idéia da estima em que deveis ter a pureza, e como o bom Deus se compraz em fazer milagres para se mostrar-se seu protetor e guardião. Como este exemplo confundirá um dia estes jovens que fazem tão pouco caso desta bela virtude! Eles jamais conheceram seu preço. O Espírito Santo tem, portanto, razão de exclamar: “Ó, como é bela esta geração casta; sua memória é eterna, e sua glória brilha diante dos homens e dos anjos!” É certo, meus irmãos, que cada um ama seus semelhantes; também os anjos, que são espíritos puros, amam e protegem duma maneira particular as almas que imitam sua pureza. Nós lemos na Sagrada Escritura que o anjo Rafael, que acompanhou o jovem Tobias, prestou-lhe mil serviços. Preservou-o de ser devorado por um peixe, de ser estrangulado pelo demônio. Se este jovem não tivesse sido casto, é certíssimo que o anjo não o teria acompanhado, nem lhe teria prestado tantos serviços. Com que gozo não se alegra o anjo da guarda que conduz uma alma pura!

Não há outra virtude para conservação da qual Deus faça milagres tão numerosos como os que ele pródiga em favor duma pessoa que conhece o preço da pureza e que se esforça por salvaguardá-la. Vede o que Ele fez por Santa Cecília. Nascida em Roma de pais muito ricos, ela era muito instruída na religião cristã, e seguindo a inspiração de Deus, ela Lhe consagrou sua virgindade. Seus pais, que não o sabiam, prometeram-na em casamento a Valeriano, filho de um senador da Cidade. Era, segundo o mundo, um partido bem considerado. Ela pediu a seus pais o tempo de pensá-lo. Ela passou este tempo no jejum, na oração e nas lágrimas, para obter de Deus a graça de não perder a flor daquela virtude que ela estimava mais que sua vida. O bom Deus lhe respondeu que não temesse nada e que obedecesse a seus pais; pois, não somente não perderia esta virtude, mas ainda obteria... Consentiu, pois, no matrimônio. No dia das núpcias, quando Valeriano se apresentou, ela lhe disse: “Meu caro Valeriano, eu tenho um segredo a lhe comunicar.” Ele lhe respondeu: “Qual é este segredo? ” – Eu consagrei minha virgindade a Deus e jamais homem algum me tocará, pois eu tenho um anjo que vela por minha pureza; se você atenta contra isto, você será ferido de morte”. Valeriano ficou muito surpreso com esta linguagem, porque sendo pagão, não compreendia nada de tudo isto. Ele respondeu: “Mostre-me este anjo que a guarda.” A Santa replicou: “Você não pode vê-lo porque você é pagão. Vá ter com o Papa Urbano, e peça-lhe o batismo, você em seguida verá o meu anjo”. Imediatamente ele parte. Depois de Ter sido batizado pelo Papa, ele volta a encontrar sua esposa. Entrando no seu quarto, vê o anjo velando com Santa Cecília. Ele o acha tão bonito, tão brilhante de glória, que fica encantado e tocado por sua formosura. Não somente permite à sua esposa permanecer consagrada a Deus, mas ele mesmo faz voto de virgindade ... Em breve eles tiveram a alegria de morrerem mártires. Estais vendo como o bom Deus toma cuidado duma pessoa que ama esta incomparável virtude e trabalha por conservá-la?

Nós lemos na vida de Santo Edmundo que, estudando em Paris, ele se encontrou com algumas pessoas que diziam tolices; ele as deixou imediatamente. Esta ação foi tão agradável a Deus, que Ele lhe apareceu sob a forma de um belo menino e o saudou com um ar muito gracioso, dizendo-lhe que com satisfação o tinha visto deixar seus companheiros que mantinham conversas licenciosas; e, para recompensá-lo, prometia que estaria sempre com ele. Além disto, Sto. Edmundo teve a grande alegria de conservar sua inocência até a morte. Quando Santa Luzia foi ao túmulo de Santa Águeda para pedir ao Bom Deus, por sua intercessão, a cura de sua mãe, Santa Águeda lhe apareceu e lhe disse que ela podia obter, por si mesma, o que ela pedia, pois que, por sua pureza, ela tinha preparado em seu coração uma habitação muito agradável ao seu Criador. Isto nos mostra que o bom Deus não pode recusar nada a quem tem a alegria de conservar puros seu corpo e sua alma.

Escutai a narração do que aconteceu a Santa Pontamiena que viveu no tempo da perseguição de Maximiano. Esta jovem era escrava dum dissoluto e libertino, que não cessava de a solicitar para o mal. Ela preferiu sofrer todas as sortes de crueldades e de suplícios a consentir nas solicitações de seu senhor infame. Este, vendo que não podia conseguir nada, em seu furor, entregou-a como cristã nas mãos do governador, a quem prometeu uma grande recompensa se a pudesse conquistar. O juiz mandou que a conduzissem ante seu tribunal, e vendo que todas as ameaças não a faziam mudar de sentimentos, fez a Santa sofrer tudo o que a raiva pôde lhe inspirar. Mas o bom Deus concedeu à jovem mártir tanta força que ela parecia ser insensível a todos os tormentos. Aquele juiz iníquo, não podendo vencer sua resistência, faz colocar sobre um fogo bem ardente uma caldeira cheia de pez, e lhe diz: “Veja o que lhe preparam se você não obedece a seu senhor.” A santa jovem responde sem se perturbar: “Eu prefiro sofrer tudo o que vosso furor puder vos inspirar a obedecer aos infames desejos de meu senhor; aliás, eu jamais teria acreditado que um juiz fosse tão injusto de me fazer obedecer aos planos de um senhor dissoluto.” O tirano, irritado por esta resposta, mandou que a lançassem na caldeira. “Ao menos mandai, diz-lhe ela, que eu seja lançada vestida. Vós vereis a força que o Deus que nós adoramos dá aos que sofrem por Ele.” Depois de três horas de suplício, Pontamiena entregou sua bela alma a seu criador, e assim alcançou a dupla palma do martírio e da virgindade.

Sermão da Pureza [ S. João Maria Vianney ]


S. João Maria Vianney
S. João Maria Vianney

Sermão sobre a Pureza
“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” (Mt.5,8)
III - Como esta virtude é pouco conhecida e apreciada no mundo

Ai, meus irmãos, como esta virtude é pouco conhecida no mundo, quão pouco nós a estimamos, quão pouco cuidado nós pomos em conservá-la, quão pouco zelo temos em pedi-la a Deus, pois que não a podemos ter de nós mesmos. Não, nós não conhecemos esta bela e amável virtude que ganha tão facilmente o coração de Deus, que dá um tão belo brilho a todas as nossas outras boas obras, que nos eleva acima de nós mesmos, que nos faz viver sobre a terra como os anjos no céu!...

Não, meus irmãos, ela não é conhecida por este velhos infames impudicos que se arrastam, se rolam e se submergem na lama de suas torpezas, cujo coração é semelhante àqueles ... sobre o alto das montanhas... queimados e abrasados por estes fogos impuros. Ai! Bem longe de procurar extingui-lo, eles não cessam de acendê-lo e abrasá-lo por seus olhares, por seus pensamentos, seus desejos e suas ações. Em que estado estará esta alma, quando aparecer diante de Deus, a Pureza mesma? Não, meus irmãos, esta bela virtude não é conhecida por esta pessoa, cujos lábios não são mais que uma abertura e um tubo de que o inferno se serve para vomitar suas impurezas sobre a terra, e que se alimenta disto como de um pão quotidiano. Ai! A alma deles não é mais que um objeto de horror para o céu e para a terra! Não, meus irmãos, esta bela virtude não é conhecida por estes jovens cujos olhos e mãos estão profanados por estes olhares e ... Ó DEUS, QUANTAS ALMAS ESTE PECADO ARRASTA PARA O INFERNO!... Não, meus irmãos, esta bela virtude não é conhecida por estas moças mundanas e corrompidas que tomam tantas precauções e cuidados para atraírem sobre si os olhos do mundo; que por seus enfeites exagerados e indecentes, anunciam publicamente que são infames instrumentos de que o inferno se serve para perder as almas; estas almas que custaram tantos trabalhos, lágrimas e tormentos a Jesus Cristo! ... Vede estas infelizes, e vós vereis que mil demônios circundam sua cabeça e seu coração. Ó meu Deus, como a terra pode suportar tais sequazes do inferno? Coisa mais espantosa ainda, como mães as suportam num estado indigno de uma cristã! Se eu não temesse ir longe demais, eu diria a estas mães que elas valem o mesmo que suas filhas. Ai, este infeliz coração e estes olhos impuros não são mais que uma fonte envenenada que dá a morte a qualquer que os olha e os escuta. Como tais monstros ousam se apresentar diante de um Deus santo e tão inimigo da impureza! Ai! A vida deles não é mais que uma acumulação de banha que eles estão juntando para inflamar o fogo do inferno por toda a eternidade. Mas, meus irmãos, deixemos uma matéria tão desagradável e tão revoltante para um cristão, cuja pureza deve imitar a de Jesus Cristo mesmo; e voltemos à nossa bela virtude da pureza que nos eleva até o céu, que nos abre o coração adorável de Jesus Cristo, e nos atrai todas as bênçãos espirituais e temporais.

26 dezembro, 2015

O Servo de Deus Arcebispo Metropolitano Andrey Sheptytsky

O Servo de Deus

O Servo de Deus

Arcebispo Metropolitano

Andrey Sheptytsky

Nascido em uma família aristocrática, escolheu ser um sacerdote da Igreja Greco-Católica Ucraniana.

Tendo alcançado o seu doutorado em direito no ano de 1894, Sheptytsky passou pelas fileiras e logo foi entronizado como Arcebispo Metropolitano de Halych.

Mas Sheptytsky não era apenas um líder religioso dedicado e talentoso, também estava preocupado com a qualidade de vida de seu rebanho. Ele apoiou instituições de ensino e artes. Sheptytsky fundou em 1905 um museu da igreja, que em última análise se tornou o « Museu Nacional da Ucrânia » com uma notável coleção de várias obras de arte, artefatos religiosos, arte popular, livros e documentos.

Ele também apoiou outros projetos, como o Escola de Artes de Novakivsky do « Museu Nacional da Ucrânia », Ridna Shkola e Prosvita.

Com a II Guerra Mundial, que trouxe dimensões mais trágicas nas relações humanas. Livres da tirania comunista pelos alemães, Sheptytsky, como muitas outras pessoas, esperavam um futuro melhor para o povo ucraniano. Mas logo, Sheptytsky, como todos os outros, aprendeu que a tirania comunista foi substituída pela tirania nazista. Como líder espiritual, ele não só ficou na defesa de seu rebanho, mas ele ficou particularmente em defesa do povo judeu, que estavam sendo assassinados em massa pelos nazistas. Condenando de várias formas o assassinato e a política de extermínio, Sheptytsky emitiu uma carta pastoral « "Não Matarás" » que foi lida em todas as igrejas. Mais do que isso, ele tomou medidas pessoais para salvar judeus em várias instituições da Igreja.

Sheptytsky pelo Rabbi Dr. David Kahana:

"Eu estou disposto a jurar sobre a Bíblia que Sheptytsky foi um dos maiores humanistas na história da humanidade, (e) certamente, o melhor amigo que os judeus já tiveram, é o que eu estou dizendo. Isto não só porque ele salvou a minha esposa, meu filho e eu, e não só porque ele foi fundamental para resgatar outros judeus da morte certa. Por favor, entendam-me e examinem não só a contagem das ações de Sheptytsky, mas também os seus motivos. Quando o conheci, ele já era um homem velho, quebrado no corpo, mas não no espírito, com bem mais do que 80 anos de idade, paralisado e à beira da morte, ele certamente não procurava qualquer "seguro de respeitabilidade" ou ganho político. Ele estava bem além disso. Se os nazistas encontravam judeus se escondendo em alguma igreja ou mosteiro, eles atiravam em todos os padres e monges e até queimavam o edifício ou o transformavam em um quartel para as tropas. E se o Arcebispo Metropolitano estava disposto a arriscar os seus sacerdotes, as religiosas e as igrejas, ele estava movido pelo verdadeiro cristianismo não diluído, por amor ao nosso povo judeu, e por um senso de responsabilidade nacional".